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Avante Indica livro sobre natureza como ambiente de aprendizado

Os espaços ao ar livre nas escolas tenderão a fazer mais parte da vida das crianças da Educação Infantil em função da pandemia, segundo já alertaram especialistas da pasta como medida de proteção ao contágio pelo Covid19. Mas não só por esta razão estes espaços devem fazer parte da rotina das crianças, e sim sempre que possível! O reencontro com a natureza trará outros benefícios aos meninos e meninas, como: maior aprendizagem de valores solidários e amorosos com a vida, como cita Izenildes Bernardina de Lima, a Minuska, em seu livro “A Criança e a Natureza – Experiências educativas nas áreas verdes como caminhos humanizadores (Appris/2020).

“Ao cuidar das coisas do mundo natural, as crianças aprendem valores solidários e amorosos com a vida, aprendem a escutar a linguagem da natureza, podem aprofundar a conexão consigo mesmas e desenvolvem o sentimento de comunhão com os demais seres. A intimidade com a Natureza se apresenta como um importante caminho para o nosso processo de humanização” diz a autora, que atuou como gerente da Educação Infantil na Rede Municipal de Educação de Camaçari e liderou a parceria da Secretaria com a Avante entre 2013 e 2017, por meio do programa Paralapracá.

Realizado pela Avante – Educação e Mobilização Social, em parceria com as secretarias municipais de Educação, o Programa visa contribuir para a melhoria da qualidade do atendimento às crianças na Educação Infantil, com vistas ao seu desenvolvimento integral, por meio de ações de formação continuada de profissionais da Educação Infantil. O Paralapracá tem como princípio o direito de toda criança a uma escola equitativa, plural e acolhedora, um espaço no qual possa contar com a educação e o cuidado apropriados à sua faixa etária e em que seja respeitada a sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.

Nas formações com técnicos das secretarias e coordenadores pedagógicos nas instituições, empoderando-os como formadores no chão da escola, o Paralapracá promoveu reflexões sobre a valorização dos saberes de cada localidade e ampliação das referências teórico-práticas, a partir das orientações nacionais. Todas as ações giram em torno de seis eixos formativos: Assim se Brinca, Assim se faz Artes Visuais, Assim se faz Música, Assim se faz Literatura, Assim se Explora o Mundo e Assim se Organiza o Ambiente.

A experiência formativa do Paralapracá toca fortemente em questões levantadas por Minuska em seu livro, que é resultante de sua pesquisa de doutorado. Mônica Samia, consultora associada da Avante e coordenadora de projetos ligados à Educação Infantil na instituição, ressalta que “a questão do direito ao acesso ao ambiente natural e a sua potência para o desenvolvimento integral das crianças e aprendizagens essenciais era, e continua sendo, um dos focos dos nossos processos formativos. Me lembro do quanto esta temática tocava fundo as interlocuções com Minuska e fico profundamente emocionada de nossa experiência ter sido um dos fatores impulsionadores da pesquisa, e agora do lançamento deste livro, tão belo e relevante”, disse.

A autora realizou um trabalho de observação participante junto a uma turma de crianças de cinco anos de idade em uma escola de Educação Infantil no município de Camaçari (BA), e ouviu ainda educadores e estagiárias através de um grupo focal.  “Os dados revelam que as áreas verdes são espaços preferidos pela grande maioria de crianças, onde elas brincam, interagem, imaginam e criam, onde o corpo se movimenta livremente a partir de seus desejos e interesses. Além disso, pelas experiências espontâneas, de plantios e cultivos, de cuidado com os animais, as crianças aprendem sobre o mundo natural e exercitam o cuidado amoroso com outras formas de vida”, avalia a escritora.

Entre os estudos que referendaram a pesquisa, ela cita conteúdos sobre educação ambiental na primeira infância; a organização dos ambientes de aprendizagem; a escuta das crianças enquanto produtoras de cultura; e o desenvolvimento da sensibilidade como condição necessária para construção de novos modos de vida.

Para Minuska, as áreas verdes são campos férteis para as crianças vivenciarem a alegria, o bem-estar, para descobrirem sobre si mesmas, sobre a convivência com os outros e para investigarem sobre as coisas que as rodeiam. Ela afirma: “Nesses ambientes a inventividade e a criatividade das crianças se expandem, a percepção e sensibilidade se ampliam pela riqueza de experiências sensoriais que a Natureza propicia”.

Minuska faz duras críticas ao afastamento das crianças da natureza – segundo ela, uma das características da infância contemporânea, resultado de um longo processo histórico, que, a partir da era moderna, instrumentalizou a natureza para fins mercadológicos e retirou o ser humano do seu convívio.

E faz uma ressalva de que “as escolas de Educação Infantil, enquanto ambientes de circulação e produção de culturas, têm como função primordial ajudar as crianças a manterem e ampliarem seu vínculo com a natureza, propiciando experiências nas quais elas possam conviver com as plantas, as árvores, os animais, as águas, as chuvas, as pedras, o vento, o fogo, participando, interagindo prazerosamente, sentindo, aprendendo”, disse.