Indiquinho – participação da criança na avaliação da Educação Infantil

“Criança gosta de ser ouvida”. A afirmativa é da professora Jussara Danyella Souza, do CMEI Castro Alves, da Rede Municipal de Educação de Salvador, em relato sobre o “Indiquinho”, uma proposta da escola para garantir a participação das crianças no processo de avaliação dos indicadores da qualidade da Educação Infantil da cidade. 

Escutar as crianças e garantir que possam expressar suas percepções sobre os espaços e dinâmicas escolares são formas de assegurar o direito delas como cidadã e sua participação na gestão do espaço público que ocupa – a escola. Com essa intencionalidade, o CMEI Castro Alves realizou o “Indiquinho”. 

A atividade foi uma adaptação do Indique Salvador, realizada pela escola nos dias 22, 23 e 24 de abril. A escolha das datas foi propícia. Os professores planejaram o Indiquinho a fim de que o seu resultado pudesse ser apresentado no Indique, agendado para o dia 25.

A iniciativa, segundo a vice-gestora, Cristiane Valente, revela a sensibilidade basilar de todo o trabalho realizado com as crianças – escutar e acolher. “Todo mundo quer ser ouvido, mas, principalmente, respeitado. As crianças não são diferentes. Não poderíamos começar essa escuta senão pelas crianças. ‘O que eu gosto na minha escola? O que eu não gosto? O que gostaria que tivesse?’ foram as perguntas que serviram como ponto de partida para as discussões nos grupos, adaptadas às especificidades e compreensão de cada faixa etária”, disse Cristiane Valente.

As professoras organizaram rodas de conversa para apresentarem a proposta do “Indiquinho” para as crianças e escutarem seus relatos sobre o CMEI, com direito a reclamação e tudo. “Criança gosta de ser ouvida e isso ficou claro na roda de conversa, pois todas querem falar ao mesmo tempo”, destacou Jussara.

Fatores e indicadores do Indiquinho 

Não faltaram pedidos! Os registros foram compartilhados pela professora Jussara: “Tá sem praça, quero pedir um parque lá fora, piscina, praça com bola do Bahia”; “Um balanço!”; “Vários balanços!”; “Gostaria que o macarrão fosse daquele fininho”; “Só que aqui só dá macarrão prego”; “Biscoito recheado!”; “Precisa melhorar a luz e o ar-condicionado, a luz fica piscando e desligando sozinha”. 

A melhoria dos espaços recreativos, da oferta alimentar e das instalações do CMEI não foram infundadas. A hora do lanche pode e deve ser prazerosa, a escola precisa ser convidativa e brincante, e as salas de aula demandam uma climatização agradável e boa iluminação. A professora Jussara ratificou as demandas das crianças, “atualmente estamos sem parque externo, brinquedos danificados e outros inadequados para as crianças”. 

Da mesma forma que não faltaram pedidos, também não economizaram elogios: “A escola é grande”; “(dá) pra caber várias salas, vários alunos, eu acho legal. Tem parquinho, salas, alunos, professores, colchões”; “a comida é gostosa!”; “eu gosto das professoras”. Para Jussara, falas como essas “demonstram que, mesmo diante das dificuldades e da desvalorização da Educação Infantil, elas aquecem nossos corações, pois buscamos oferecer Educação de qualidade”, destacou a professora.

Os indicadores foram desenhados e coloridos pelas crianças. As turmas ficaram livres para confeccionar os cartazes, e a sala da professora Jussara gravou um vídeo para a rede social do CMEI. 

Repercussão

O “Indiquinho” repercutiu. Os registros, além de expostos para a comunidade escolar, foram considerados na reunião do Indique. Sobre isso, a vice-gestora disse: “Levamos as proposições de acordo com as dimensões, indicadores e fatores trazidos por elas, principalmente os fatores endógenos. Só não poderemos garantir o biscoito recheado”, enfatizou rindo.

A professora Jussara compartilhou que, além de se encantarem com o resultado do “Indiquinho”, as famílias validaram os pedidos das crianças no Indique. A professora também destacou a relevância da atividade para as aprendizagens das crianças. “Propostas como essa dão espaço para que as crianças se expressem, estimulando o pensamento crítico e a habilidade de argumentar”, e a vice-gestora e coordenadora Cristiane Valente concluiu, “ouvir crianças é um ato sensível, que transcende a ação. As crianças sempre têm muito que dizer! E nós precisamos escutá-las!”.

Indique Salvador

O Indique Salvador é um instrumento de avaliação sobre os indicadores da qualidade da Educação Infantil, que tem como referência o documento nacional, lançado pelo MEC em 2009. Elaborado e revisado pela Avante – Educação e Mobilização Social, em parceria com a SMED, a última versão, de 2022, além de adaptar questões relativas à realidade e cultura soteropolitanas, traz como foco a territorialidade, com objetivo de contemplar as especificidades das instituições espalhadas pelo vasto território da capital baiana.

A metodologia é aplicada com representantes da instituição, comunidade e órgãos governamentais – com a finalidade de ampliar a participação dos membros da comunidade escolar e monitorar a qualidade do atendimento da Educação Infantil, a partir de cada instituição de ensino. Em Salvador, essa avaliação é inserida no Sistema de Monitoramento e Mapeamento de Dados, onde é possível acompanhar o andamento das demandas sinalizadas pelas creches e pré-escolas da Rede e seus respectivos encaminhamentos.

A Avante segue fomentando iniciativas como as do CMEI Castro Alves, para que as crianças possam participar de forma democrática dos processos de avaliação das suas instituições de ensino, visto que os resultados dessas ações impactam diretamente em seus cotidianos escolares. 

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