
O Dia Mundial do Brincar foi comemorado em Salvador com toda a relevância que a data merece. O MEC promoveu um encontro com as maiores referências do país no que diz respeito à cultura das infâncias, brinquedos, brincadeiras e Educação Infantil.
O Seminário “Fortalecendo a Qualidade na Educação Infantil: Oportunidades Cotidianas”, ocorrido em 28 e 29 de maio, no Teatro da Universidade do Estado da Bahia, reuniu pesquisadores renomados, organizações sociais, professores e gestores públicos, entre eles: Rita Coelho, Coordenadora-Geral de Educação Infantil – MEC; Tizuko Kishimoto, professora da USP e criadora do Laboratório de Brinquedos e Materiais Pedagógicos – LABRIMP; Silvia Cruz, professora da UFC e consultora do MEC para as Diretrizes Curriculares da Educação Infantil e da BNCC; Lydia Hortélio, educadora e musicóloga; o Brincante Roquinho; e Maria Thereza Marcilio, consultora associada da Osc Avante.
A anfitriã do encontro, Rita Coelho, abriu o evento com uma palavra de celebração ao Dia do Brincar, mas logo avançou para a necessidade da defesa do Direito ao Brincar e para a sua relevância como eixo estruturante da Educação Infantil.
“Todas as crianças têm o direito de brincar. As indígenas, ribeirinhas, as que vivem na zona rural, na cidade. Equidade e qualidade na Educação Infantil se estabelecem no cotidiano e se constituem pela garantia do brincar a todas as crianças. “Currículo, na Educação Infantil, é prática!”, afirmou Rita, com contundência.
Durante a apresentação da mesa institucional, ao lado de Adriana dos Santos Marmori, reitora da UNEB; de Tereza Farias, diretora de Políticas e Diretrizes da Educação Integral Básica – MEC, e demais convidados, Maria Thereza tomou de empréstimo a citação de John Whitehead para reforçar a importância do compromisso social com a qualidade da Educação Infantil.
“As crianças são mensagens vivas que enviamos para um tempo que não veremos. Essa é a razão de fazermos o que fazemos. Nós queremos que a mensagem que mandamos ao mundo seja uma mensagem de esperança. É a mensagem que a natureza nos urge a enviar”.
Após a cerimônia inicial, seguiu-se o momento mais esperado por todos os entusiastas e defensores do Brincar, a Palestra Magna “Brinquedos e Brincadeiras”, conferida por Lydia Hortélio, etnomusicóloga, com longa trajetória dedicada à pesquisa, documentação e difusão das brincadeiras, cantigas e expressões culturais das crianças.
“Patrimônio do Brasil”, como afirma Maria Thereza, Lydia, aos 93 anos, levou centenas de professores a revisitar a infância e a cantar cirandas tradicionais do repertório popular. A pesquisadora defendeu o brincar como linguagem universal e natural do ser humano, inscrita e observada no corpo e movimento da criança. Proposição confirmada por meio dos registros fotográficos de brincadeiras ao redor do mundo e, em particular, do sertão baiano, onde teve a sorte de crescer e brincar num quintal de 25 mangueiras, como ressaltou. A sensibilidade de Lydia, sua inteireza e paixão pelo brincar emocionaram a plateia.
Maione da Silva Oliveira, gestora escolar em Valente, município do interior baiano, disse:
“Foi muito emocionante ver a professora Lydia Hortélio. Ela nos fez reviver a nossa história, infância e brincadeiras. Foi lindo, porque nos permitiu parar para refletir sobre o nosso papel na Educação Infantil e o quão importante é considerar as infâncias e as vivências nessa etapa”, declarou.
Tarde
A programação da tarde foi dividida em duas etapas. A primeira foi dedicada à apresentação das pesquisas desenvolvidas pelas professoras Silvia Cruz e Tizuko Kishimoto sobre o Brincar na perspectiva do direito à Educação Infantil, com fechamento do brincante Roquinho. A segunda focou nas “Boas práticas das redes de ensino: territorialidades e singularidades da Educação Infantil”, a partir dos relatos compartilhados por representantes de Araci e Valente, municípios do Território do Sisal, no interior baiano, com mediação de Anderson Passos, Presidente da Undime Bahia.
A professora Silvia Cruz abriu a primeira mesa com destaque para a escuta das crianças. Segundo ela, as pesquisas produzidas no país evidenciam que, para as crianças pequenas, a Educação Infantil é o lugar das interações e brincadeiras – eixos estruturantes do currículo e imprescindíveis para qualificar as práticas pedagógicas.
Tizuko Kishimoto, pesquisadora e criadora do Laboratório de Brinquedos e Materiais Pedagógicos – LABRIMP e do Museu da Educação e do Brinquedo, apresentou um painel sobre o aprender a brincar como via de acesso à qualidade da Educação Infantil, considerando o direito de todas as crianças, inclusive aquelas com deficiência.
A relevância do seu trabalho para a Educação Infantil brasileira foi reconhecida durante o evento, onde recebeu, das mãos de Rita Coelho, a medalha Paulo Freire – honraria endereçada a educadores populares, organizações da sociedade civil, universidades e demais atores envolvidos com a alfabetização e a Educação de Jovens e Adultos.
Roquinho, brincante e fundador da instituição Carretel Cultural, compartilhou sobre a diversidade das infâncias brasileiras e, por consequência, das formas de brincar. O Brincante trouxe relatos de experiências em diferentes comunidades rurais do estado de Minas Gerais e também promoveu momentos de brincadeira com a plateia.
“A brincadeira faz parte de nós, basta uma fagulha para que a alegria do brincar seja acionada”, disse.
Segundo dia
No segundo dia do evento, as mesas e painéis se concentraram no INDIQUE – Indicadores de Qualidade na Educação Infantil, com a apresentação do percurso de criação e desenvolvimento do documento orientador e diálogos sobre a sua última atualização e perspectivas de uso.
Entre os integrantes do segundo dia de programação, estavam: Vanda Mendes Ribeiro – Pesquisadora do Instituto Jus – Desenvolvimento de Inovações Tecnológicas, Sociais, Gestão de Políticas Públicas e Justiça Social; Ednéia Gonçalves – Coordenadora Executiva da Ação Educativa; Tereza Farias (MEC); Carolina Velho – Especialista de Educação Infantil do Unicef/Brasil; Ana Paula Soares – Professora da USP; Guilherme Irff – Professor da UFC; e Índia Clara Nascimento – Gerente de Projetos SEB/MEC.
O painel de encerramento debateu “A autoavaliação institucional participativa no chão dos territórios”. Representantes escolares de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro compartilharam experiências de municípios que participaram do processo de atualização dos instrumentos de autoavaliação.
O Seminário foi uma oportunidade ímpar de diálogo e troca de experiências. Não faltaram brincadeiras, reflexões, inspirações teóricas e práticas, lançamento de livros, apresentações infantis, crianças grandes (com muita experiência de vida) e pequenas.
O evento promoveu uma grande celebração ao Brincar e um encontro potente para pensar os caminhos para a qualidade e equidade da Educação Infantil, a partir das práticas cotidianas.
O Seminário foi realizado pelo MEC, com apoio da Osc Avante, Unicef, Undime e Itaú Social.


