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Projeto inspirado no Paralapracá ganha menção honrosa do Instituto Tomie Ohtake

Era julho de 2012 quando a coordenadora pedagógica Carla Gabriela Cruz recebeu um chamado da Secretaria Municipal de Educação de Feira de Santana (BA). Isso porque a pré-escola municipal Alda Marques precisava de um coordenador para levar adiante o Paralapracá, programa da Avante – Educação e Mobilização Social que atuava pela qualidade da Educação Infantil, por meio da formação de profissionais desse segmento. “Eu vim e me apaixonei pela instituição e pela proposta da Avante. Trouxe um ganho muito positivo na minha vida em todos os sentidos”, reconhece Carla.
Fruto de uma parceria entre a Avante, o Instituto C&A e as redes municipais de Educa

ção, o Paralapracá trabalhava a organização do ambiente; exploração do mundo; música; arte; literatura e o brincar, promovendo a experimentação dessas diversas linguagens para potencializar as atividades pedagógicas. Tanto a proposta de formação de educadores, quanto os conteúdos dos módulos, marcaram a história profissional e pessoal da educadora.


E foi justamente o módulo de organização de ambiente que inspirou Carla a criar na escola Alda Marques o “Projeto Natureza Lúdica”, que recebeu, em setembro, uma menção honrosa do 5º Prêmio Territórios, em seleção feita pelo Instituto Tomie Ohtake.


O objetivo do projeto de Carla foi promover a requalificação da área escolar para a organização de um potente ambiente como meio de desenvolvimento saudável e integral das crianças. “A proposta apresentada no edital era justamente essa, de sair dos muros da escola, atingir a comunidade, fazer valer as praças e os locais públicos para crianças, adolescentes e alunos de um modo geral”, explica.
Ela destaca, ainda, que participar de uma seleção nacional é um grande feito para a escola Alda Marques. “Realmente, para nós é uma vitória e o resultado de uma luta que já dura quase nove anos na instituição. Para nós é uma riqueza”, declara a coordenadora pedagógica.


Nesta quinta edição, o Prêmio buscou mapear e disseminar experiências pedagógicas desenvolvidas pelas escolas, que, de forma consistente e inovadora, buscaram responder aos desafios impostos pela pandemia da Covid-19. Para concorrer, foi importante levar em conta os processos de aprendizagem e os vínculos com estudantes, famílias e comunidades, garantindo os princípios da Educação Integral.


Relação escola-território


O período de isolamento social, imposto pela pandemia, exigiu a criação de novas estratégias no sentido de garantir as aprendizagens dos estudantes. Carla conta que as primeiras ações, desde o início do isolamento social, foram direcionadas aos familiares. “Telefonemas e uso de whatsapp ampliaram-se no contato com as crianças, seguido de visitas às casas, encontros virtuais, distribuição de atividades impressas e de material didático, incluindo tintas e telas, contação de histórias gravadas pelas professoras a partir do acervo disponível na escola, e a escuta de todos os envolvidos, que trouxeram sugestões para organizar as áreas externas”.


A escola havia passado por uma obra de ampliação em 2018, aumentou o número de salas de quatro para oito, ganhou refeitório e pintura renovada. Porém, com a ampliação, a unidade perdeu as poucas árvores que tinha. Tiveram que ser derrubadas porque estavam podres. Com o sol forte na área externa, surgiu a necessidade de arborizar o local. Aí estava a oportunidade para a coordenadora desenvolver o projeto – “Natureza Lúdica”, da escola Alda Marques, a partir do caderno de experiências “Assim se organiza o ambiente”, do Paralapracá.


Com a pandemia da Covid-19, a urgência do projeto se tornou ainda maior e a escola ampliou as parcerias para sua implantação. A iniciativa contou com a participação de diversos atores da comunidade escolar: crianças, pais, vizinhos, secretarias, escola técnica, comerciantes, professores e funcionários. “Solicitamos sugestões e apoio dos que pudessem ajudar no plantio”, relata Carla.


Legado


A organização de ambientes, um dos eixos do Paralapracá, foi um divisor de águas na vida de Carla, que há 35 anos dedica-se à Educação. Foi revelador para ela entender que a organização do ambiente é um segundo, ou um terceiro, educador na sala de aula. O foco agora é expandir e organizar também o ambiente externo “a gente quer uma área verde, com árvores, terra, água, flores. A gente quer desemparedar essas infâncias”, disse.


Ainda de acordo com a coordenadora pedagógica, o Paralapracá influenciou a criação do Ateliê de Arte Infantil, a partir do caderno Assim se Faz Artes. Outro exemplo foi a criação do Diário da Música contendo sugestões retiradas dos livros e materiais do Programa (Assim se Faz Música). E toda essa experiência serviu como base para a proposta apresentada no edital do Prêmio Território do Instituto Tomie Ohtake.
O Dia B – Dia do Brincar, em Feira de Santana, com o intuito de contribuir para o aumento da sensibilização e da consciência sobre a importância do brincar na infância, também é um legado do Paralápracá. 


Para completar, a educadora levou a metodologia do Paralapracá para o município de Santo Estevão, onde trabalhou por 15 anos na secretaria municipal de Educação, demonstrando que o conhecimento adquirido e a autonomia intelectual continuam acompanhando o educador aonde ele for. O Paralapracá, realizado até 2017, atuou em dez redes municipais do Nordeste, dentre elas a de Feira de Santana, entre 2010 e 2013.


Premiação


Esta foi a primeira vez que o Prêmio Territórios teve alcance nacional. Esta edição se dirigiu às escolas públicas municipais e estaduais de todo Brasil, contemplando a Educação Infantil, Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Também foi a primeira vez na trajetória do Prêmio que o júri decidiu por eleger, além das 10 escolas selecionadas, mais 5 escolas, que receberam menção honrosa pelas iniciativas pedagógicas apresentadas. As 10 escolas premiadas ganharam 5 mil reais cada, livros de literatura para o acervo das escolas e um curso de artes do instituto, além de um curso doado por uma universidade.


De acordo com Natame Diniz, coordenadora do prêmio, a menção honrosa não estava prevista no edital. “Foi uma decisão dificílima para o júri chegar nessas dez escolas selecionadas. A gente vê a mobilização, a luta, o trabalho árduo, difícil e importante que todas as escolas desempenharam nessa pandemia, tanto que, pela primeira vez, a gente teve menção honrosa que a gente nunca teve nas quatro edições do prêmio”, explica.

Para essas escolas foi ofertada uma bolsa de estudos para os cursos do Instituto Tomie Ohtake e o júri se propôs, caso a escola queira, a dar uma tutoria para colaborar no processo pedagógico.
A Avante – Educação e Mobilização participou como parceira mobilizadora do prêmio na região Nordeste. “Fazer parte pela primeira vez e já receber uma menção honrosa é um reconhecimento dessa diversidade. Duas escolas do nordeste foram premiadas entre as dez selecionadas”, destaca Fabíola Bastos, consultora associada da Avante e coordenadora de projetos de formação de educadores. Nesse processo, ela destaca também a continuidade da conexão com instituições parceiras. “Continuar o diálogo com as redes das escolas que já desenvolveram algum projeto junto com a Avante, com o Instituto Tomie Ohtake, com a Cidade Escola Aprendiz, que foi uma das organizadoras do prêmio é de suma importância”.

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