
A participação da Osc Avante no World Forum on Early Care and Education alcançou a maioridade na última edição, ocorrida em Kuala Lumpur, capital da Malásia. Há 18 anos, a instituição fortalece a representação da infância brasileira no evento, sobretudo pela sua legitimidade na defesa dos direitos da criança e pela relevante atuação de suas associadas em diferentes grupos de trabalho no fórum mundial.
Desde a indicação de Maria Thereza Marcilio para representar o Brasil como Global Leader (GL) no WF de Belfast (Irlanda), em 2009, com pico de participação dez anos depois, quando a insituição levou 15 brasileiras, até 2026, com a participação de quatro associadas e seis GLs, a Avante segue uma crescente, inclusive, com representação no Grupo Diretivo (Board of Directors) e na coordenação de líderes globais (GL) da América Latina.
“A Avante cresce no World Forum, porque Ana Marcilio está no Board, como membro da diretoria, eu continuo como coordenadora das GLs, Ana Luiza Buratto com a atividade do Primeira Infância Cidadã (PiC) e, agora, com a participação de Débora Selistre e das GLs do PiC. As pessoas ficam sempre muito interessadas em nosso trabalho. Tem sido uma experiência que traz dividendos, porque coloca a Avante num lugar de destaque”, declarou Maria Thereza.
Na mais recente edição do evento, na Malásia, o Brasil foi o único país da América Latina a participar. A presença das dez brasileiras foi resultado do trabalho direto da Avante, com apoio da Petrobras.
Além das quatro associadas da instituição, participaram do WF: três membros dos Comitês de Políticas Públicas para a Primeira Infância de seus municípios – Priscila Magalhães (SP), Clarice Imperial e Lilian Menenguci (ES), vinculadas ao PiC -, e outras três representantes de projetos socioambientais realizados em parceria com a Petrobras – Ellen Serra (RJ), Katiussia Souza (AM) e Sandy dos Anjos (RJ).
O desafio da participação latino-americana no World Forum tem sido pauta recorrente nos grupos de coordenação e direção do WF, com militância capitaneada principalmente por Maria Thereza e Ana Marcilio. “Esse é um tema que a gente discute desde que entramos. Eu, Ana e Carmen, da Argentina, somos as representantes dessa luta pela diversidade. O fórum não pode se dizer mundial e ter uma só língua, o inglês. Isso afasta, isola”, explica Maria Thereza.
Ana Marcilio reforça o posicionamento e vai além. Segundo ela, “várias pessoas nem tentam ir ao fórum porque sabem que é em inglês”, e acrescenta:
“A gente está nessa luta para maior acessibilidade, no entendimento de que língua é poder e que isso gera uma certa supremacia anglófona. É um mecanismo de opressão. Então, a gente vem trazendo essas vozes”.
Conforme Maria Thereza, a presença latino-americana no evento é importante pois expõe a necessidade de o fórum ser “mais World e menos América do Norte”. Além disso, ao se fecharem num único idioma, eles perdem a contribuição de diversos outros países que não têm o inglês como segunda língua.
Embora parte das GLs brasileiras não sejam fluentes no inglês, o ambiente acolhedor do encontro favoreceu a comunicação e a apresentação dos projetos foi um sucesso, como compartilha Clarice Imperial, que integra o Comitê de implementação do Plano Municipal pela Primeira Infância (PMPI) de Vitória (ES). “Foi minha primeira apresentação em outro idioma, sentir o apoio e a receptividade dos colegas de mesa e do público foi muito significativo”, afirmou.
Lilian Menenguci (ES), também vinculada PiC, compartilhou que “a língua, embora importante, não limitou a potência do encontro”. E assegura, “mesmo falando na minha própria língua, pude me comunicar com líderes e compartilhar aquilo que me move: meu compromisso ético-estético e político-poético com a Primeira Infância”.
Realizado pela Avante, em parceria com a Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambietal, o PiC foi apresentado em reuniões do programa Global Leaders for Young Children, pelas representantes do Projeto, e no painel Defesa e Políticas para um Mundo da Primeira Infância Mais Justo e Pacífico, por Ana Luiza Buratto e Débora Selistre.
“Os participantes do World Forum ficam particularmente impressionados com o impacto que o Projeto alcança, porque os 21 municípios pactuados com o PiC representam 220.000 crianças de 0 a 6 anos no centro das políticas públicas locais”, ressaltou Ana Luiza.
O PiC recebeu, pela segunda vez, o reconhecimento de projeto destaque no WF. Dessa vez, o Spotlight Recognition veio em função da continuação e expansão do trabalho realizado em mais de vinte municípios brasileiros.
“Eu acho que a equipe brasileira trouxe o molho ou parte do tempero necessário, para agregar aos demais temperos que havia ali. Desde a nossa relação com os Global Leaders, que a gente já foi chegando e conquistando espaços”, afirmou Ana Marcilio.
Participação
A Avante tem realizado um movimento importante de atuação no World Forum. Desde a abertura até o encerramento do evento, as representantes da Osc têm ocupado lugar de destaque na programação do evento.
Maria Thereza Marcilio participou da plenária inicial, apresentando um histórico da sua participação no fórum, desde a sua chegada como Global Leaders, até hoje, onde atua na coordenação das Global Leaders da América do Sul.
Ana Luiza, que participa pela terceira vez do WF, além de apresentar um painel com Débora Selistre, principiante no fórum, foi convidada a integrar a programação da cerimônia de fechamento, juntamente com Maria Thereza, para compartilhar sobre o PiC e receber o Spotlight Recognition – reconhecimento pela dimensão e impacto do Projeto no Brasil.
“Não foi simplesmente receber o Recognition. Eu subi ao palco, pude falar do PiC, referenciar a Avante, apresentar as demais consultoras da instituição, bem como as representantes do PiC e a Petrobrás. A Avante foi muito reconhecida e eu me senti muito honrada”.
Ana Marcilio, além de integrar o Board of Directors – diretoria executiva que realiza o planejamento estratégico, operacional, logístico, orçamentário e de sustentabilidade do WF, inclusive com o engajamento de novas lideranças -, foi convidada agora, em 2026, a participar do grupo de trabalho Raça, Racismo, Equidade, Diversidade (RRED).
“Esse grupo de trabalho foi pensado para convergir pessoas abertas para a escuta e a participação. Principalmente para aqueles que estão experienciando questões ou envolvidos em projetos relativos a raça, racismo, equidade e diversidade. Eu fui convidada, primeiro, para ser uma pessoa centrada no coração, que é um heart-centered person – grupo de pessoas abertas para a escuta. Acredito que esse convite seja também resultado de uma caminhada de quem vem buscando mais diversidade no fórum”, explicou.
Além da integração num novo GT, Ana Marcilio também foi chamada a participar da plenária final, sobretudo, pelas pautas que vem defendendo e levantando nos GTs e no Board.
O Wf da Malásia foi o fórum com menos preponderância da educação infantil formal, disse ela, com grande ampliação para as temáticas de equidade, raça, acessibilidade, meio ambiente e zonas de conflito e guerra.
A diretora de sustentabilidade da Avante aproveitou a oportunidade na plenária final e realizou parte do seu discurso em português, sem tradução, a fim de que todos experienciassem o lugar dos que não são contemplados em sua língua.
“Eu vi ali a oportunidade de avançar um pouco. Afinal, que acessibilidade é essa que a gente pensa pro mundo se a gente não está interessado em mudar nossas ações? Só haverá inclusão com ação. Então, são blocos que a gente vai construindo, e eu sinto que ainda temos muito a somar um com o outro”, finalizou.
A participação da Avante no World Forum é uma oportunidade ímpar de intercâmbio com defensores da Primeira Infância dos diferentes continentes, de visibilidade dos projetos e do ativismo da instituição, de construir vínculos e alianças em prol dos direitos das crianças e de pautar temáticas urgentes para o mundo inteiro.



