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Oficina de turbantes reafirma beleza e identidade da mulher negra na Baixa do Tubo

“Com o turbante na minha cabeça, eu me senti linda, maravilhosa, empoderada. Uma mulher resistente e que pode vencer qualquer batalha no dia a dia, aliás, todas nós temos que nos sentir assim”, afirmou Virgínia Brandão, integrante do grupo de mulheres organizado e mediado pelo projeto Foco nas Infâncias.

Os turbantes chegaram ao Brasil durante o período colonial com a forçada diáspora africana. Hoje, para além da estética, os adereços foram retomados como uma representação da resistência negra e afirmação da identidade cultural.

De acordo com Joice Cristina, assistente social do Projeto, a atividade surgiu de um diálogo espontâneo com as mulheres, que a viram utilizando um conjunto confeccionado em tecido africano e demonstraram curiosidade sobre como eram feitas as amarrações. “Esse interesse do grupo me motivou a organizar uma oficina de turbante para o encontro seguinte”, contou.

Joice Cristina levou tecidos com diferentes estampas africanas e arrumou as mulheres com turbantes de diversas amarrações, tudo isso mediado por um diálogo sobre representatividade, identidade, ancestralidade, resistência e valorização da cultura afro. “Também conversamos sobre algumas tradições dos povos africanos, em que diferentes amarrações podem representar momentos da vida ou posições sociais das mulheres, e a diferença entre o turbante e o ojá, utilizado pelas mulheres das religiões de matriz africana, ressaltando o respeito às tradições e aos diferentes significados de cada um”, explicou a assistente social do Projeto.

A maioria das mulheres que participaram da oficina, nunca haviam usado turbante. Ao se verem no espelho e também nas fotos e vídeos produzidos durante a atividade, “elas compartilharam com entusiasmo o fato de terem se sentido bonitas e representadas, fortalecendo o reconhecimento da beleza e da identidade da mulher negra”, destacou Joice Cristina. 

“Eu me achei linda, maravilhosa. Porque eu achava bonito nos outros. Tinha vontade de, um dia, usar. Depois que Joice colocou em mim e eu vi a foto, pronto. Vou ter de comprar, me achei linda e maravilhosa. Não tem nenhuma explicação para isso. A gente tem que se achar linda do jeito que a gente é”, afirmou Dona Luzi (Cristiane Anedina), empolgada com a experiência.

Ao final da atividade, Joice Cristina finalizou com um bate-papo sobre o 25 de Julho – Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela, no qual todas as participantes puderam refletir sobre a importância da data.

“Eu e minha amiga estávamos nos sentindo pra baixo. Quando a gente botou o turbante, ela disse que a autoestima dela aumentou.  E a autoestima da gente fica pra cima também. Eu me senti assim”, partilhou Virgínia Brandão.

A atividade, segundo Joice Cristina, reafirma a Roda de Mulheres como um espaço de convivência e também de fortalecimento da autoestima e valorização da identidade negra.

Foco nas Infâncias: defesa de direitos na Baixa do Tubo do Coqueirinho é um projeto realizado pela Avante – Educação e Mobilização Social, em parceria com a @KinderNotHilfe (KNH).

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