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Tecnologias sociais da Avante promovem participação de crianças e adolescentes

As ações institucionais do biênio 2014-2015, registradas no relatório de atividades do período, representaram para a Avante – Educação e Mobilização Social a consolidação da missão de formar pessoas visando à promoção e garantia de direitos, além do amadurecimento e sistematização de tecnologias sociais. Entre elas, a instituição destaca o processo de escuta de crianças e adolescentes, com a finalidade de assegurar espaços de participação para esses dois segmentos, tão frequentemente pouco ouvidos e por vezes invisibilizados.
Acesse o relatório institucional 2014-2015
De acordo com o relatório, projetos institucionais como o Infâncias em Rede, o Vozes da Cidade e o Posso Falar? são exemplos concretos de metodologias construídas pela organização, com base em referências teóricas atuais e documentos legais, de escuta das crianças. Já o Nossa Rede Educação Infantil e o Programa Paralapracá ampliaram o alcance da proposta de valorização da participação da criança na primeira infância no contexto institucional de aprendizagem, formando educadores para escuta e registro de fala desse público.
O projeto Infâncias em Rede foi realizado no bairro do Calabar, em Salvador, e em Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, por meio de parceria com o núcleo Mobilizador da Rede +Crianças (Fundação Xuxa Meneghel). O grupo de crianças de Salvador atuou para a redução da violência em suas vidas, enfrentando a violência doméstica, enquanto o segundo investiu na melhoria de condições da APA das Brisas, lutando para “tirar do papel” o que está escrito na letra da lei.
A instituição também fez chegar às instâncias decisórias do município as vozes de crianças e adolescentes de 10 regiões administrativas da cidade, respeitando a diversidade de gênero, etnia, classe social e com deficiência. Por meio do projeto Vozes da Cidade: crianças e adolescentes participando da construção de Salvador, a Avante viabilizou um espaço para diálogo com o prefeito e secretários em um evento denominado de Fórum Municipal Vozes da Cidade, quando foi entregue uma compilação das mais de 1200 vozes escutadas sobre suas propostas de soluções para as demandas de seus bairros. O projeto culminou, ainda, com a produção de três cadernos que consolidam esse trabalho de mobilização, consulta e análise sistematizada: Vozes das Crianças; Vozes dos Adolescentes; e Vozes de Agentes do Sistema de Garantia de Direitos o que eles pensam e querem para a cidade de Salvador.
A Avante acredita, ainda, ter dado um importante passo com a elaboração da tecnologia social do Posso falar?, ao inserir, na formação dos agentes do Sistema de Garantia de Direito (SGD), a escuta de famílias e crianças em contexto de Trabalho Infantil, com o intuito de fortalecer a busca por formas eficazes de combate ao problema. A tecnologia passou a fazer parte, também, da metodologia de outro projeto institucional como mesmo foco, já em sua segunda edição – o Todos Juntos.
No âmbito da formação de educadores, que traz em sua proposta original o fomento à participação da criança, houve nesse período duas forças disseminadoras importantes – o programa Paralapracá, que iniciou o segundo ciclo em mais cinco municípios do Nordeste, e o Nossa Rede Educação Infantil, que levou a valorização da escuta de crianças para as instituições da rede Municipal de Educação de Salvador.
Atuação internacional
Com vistas a difundir e fortalecer o direito à participação desse público, a instituição uniu esforços a coletivos nacionais e internacionais, como o Grupo de Trabalho (GT) de Participação Infantil da Rede Nacional Primeira Infância (RNPI) e o Comitê Voices of Children, parte do GT em Direitos da Criança, do World Forum Foundation for Early Childhood Care and Education. E buscou vivências junto a iniciativas consolidadas como a Riverside School, na Índia, levando consigo profissionais da área de Educação e do social por meio do Intercâmbio Internacional Trocando em Miúdos. Por meio dessas iniciativas, a Avante se dispôs a construir espaços e tempos para que essa escuta fosse feita, garantindo-se que as vozes chegassem a quem precisa ouvir.