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Posso Falar? Fomenta a escuta de crianças e impacta no enfrentamento ao Trabalho Infantil

Posso Falar fomenta a escuta de crianças e impacta no enfrentamento ao Trabalho InfantilDepois da etapa de sensibilização e mobilização, das oficinas lúdicas com crianças em situação de Trabalho Infantil, da primeira capacitação de agentes públicos e conselheiros municipais, alguns municípios já finalizaram a segunda capacitação, focada na metodologia de escuta de crianças e participação infantil. Nesses, os resultados do projeto Posso Falar?  já se mostram mais evidentes, como em Fátima, cuja segunda capacitação foi finalizada no dia 29 de maio. “São mais pessoas com o olhar preparado, o que foi um alívio para mim, e para a secretaria que estava sozinha nesse processo”, disse Maria Jussara do Nascimento, secretária de Assistência Social do município de Fátima.
De acordo com a secretária, a segunda capacitação foi de extrema importância, pois potencializou ainda mais o trabalho proposto pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), do Governo Federal, que está em andamento no município desde 2010. Participaram da capacitação 28 agentes públicos e conselheiros municipais. “Eles passaram a aceitar que escutar as crianças funciona melhor não só para o conhecimento do problema, mas também como metodologia de trabalho com as crianças assistidas pelo Serviço de Acolhimento”, conta. Segundo ela, essa nova compreensão foi posta em prática no município quase que imediatamente após a capacitação. “O pessoal do CRAS – Centro de Referência da Assistência Social -, já está incorporando a escuta dentro de sua dinâmica de trabalho”, relata.
Regina Pires, psicóloga do CRAS e presidente do conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente (CMDCA), conta que com a segunda capacitação intensificou-se a participação das crianças em todo o processo de enfrentamento. “Antes tudo era os adultos. Agora, até os assuntos que estamos trabalhando no Serviço de Atendimento são trazidos por eles, ou seja, estamos colocando-os como atores principais”, aponta.
Para ela, um dos motivos que levaram a resultados tão imediatos foi metodologia da capacitação. “Foi interessante conhecer como as crianças se enxergam dentro do problema. Para isso assistimos vídeos, aprendemos sobre os prejuízos que o TI causa a elas e até que as próprias crianças vêem um lado positivo em trabalhar. Aprendemos também metodologias de como envolvê-las. Todos saíram com outra visão e de posse de argumentos para lidar com o problema cultural das famílias, por exemplo.”
A psicóloga do CRAS narra também ações que demonstram que a proposta do Posso Falar? já está sendo praticado no município. “Recebemos visitas de monitores no CRAS que vieram pegar o material disponibilizado pelo projeto, como vídeos, para trabalhar melhor a participação da criança. Outro exemplo é a peça teatral que está sendo realizada no Serviço de Acolhimento. Toda ela é resultado de escuta de crianças; os adultos só coordenam. Já se percebe que a escuta ajuda nos planejamentos das atividades e que uma metodologia participativa funciona muito mais.”
Desde a primeira capacitação
A secretária de Assistente Social do município de Fátima, Maria Jussara do Nascimento, ressalta, no entanto, que os resultados do Posso Falar? já eram visíveis desde a primeira capacitação. “Além de se capacitarem, os técnicos e conselheiros tornaram-se multiplicadores de conhecimento”, disse. Ela explica que eles alcançaram uma maior conscientização sobre a importância de trabalhar em rede, integrando a Assistência Social com a Educação e a Saúde. “Se tornaram parceiros não só na composição de um sistema de enfrentamento como nos planejamentos de políticas públicas”, acrescentou.
Regina Pires, psicóloga do CRAS e presidente do CMDCA, concorda com a secretaria e relata que desde a primeira capacitação se percebeu uma elevação no nível de envolvimento dos agentes públicos. “Eles adquiriram um maior conhecimento sobre o Sistema de Garantias de Direitos (SGD). Coisa como: para que serve o Conselho Tutelar? Que muitos não sabiam. Além disso, aprenderam uma metodologia que está sendo aproveitada para o enfrentamento, o que certamente facilita seu trabalho”, conta.
As ações do Posso Falar? são realizadas como o intuito de fomentar espaços de escuta e de expressão de crianças em contexto de Trabalho Infantil. Para tanto, capacita agentes públicos e conselheiros municipais e dissemina metodologias de escuta qualificada de crianças junto aos integrantes do SGD para melhor atuação na prevenção e combate.
Para executar o projeto, a Avante – Educação e Mobilização Social conta com a parceria do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) e os 10 municípios que integram o projeto (Antônio Cardoso, Banzaê, Barra do Choça, Botuporã, Cardeal da Silva, Irará, Fátima, Nova Soure, Santanópolis e Tucano).